2 de out de 2018

#ElesNão


Nosso atual cenário político nos mostra no mínimo uma coisa de maneira explicita: dentro do armário, tinham mais fascistas do que qualquer uma das siglas da comunidade LGBT. E bastou que uma figura fosse a público com suas opiniões medievais, para que essas pessoas saíssem de seus esconderijos mais íntimos e se sentissem confortáveis o suficiente para acender suas fogueiras no fundo do quintal e se armarem para a próxima inquisição, tudo isso sob a lei irrefutável da família tradicional, do homem de bem e seus bons costumes. 
Porém, são em momentos como esse que percebemos uma forte união de forças entre os grupos marginalizados – grupos esses que são mais afetados quando aparecem porta-vozes do conservadorismo e da violência - onde, tanto nas ruas quanto no âmbito digital, se mobilizam perante essa forte ameaça.
Pegamos o caso da mais atual e notória hashtag, #EleNão, onde principalmente as mulheres, verbalizaram seu repúdio para com um candidato que apresenta uma ameaça direta para nós, candidato esse que, além de sua inconsistência como presidenciável, apresenta um retrocesso, um atraso social. Entretanto, mesmo Bolsonaro sendo a cara desse movimento, ele não está sozinho, e, além de combatermos este candidato nas urnas, devemos combate-lo nas ruas, combater seu plano de governo, o que ele representa e o que despertou, resgatar o debate que nasceu e morreu na época do golpe referente a onda de conservadorismo que atingiu nosso país.
Se esse candidato conseguiu se fortalecer o suficiente para provavelmente disputar um segundo turno das eleições, é sinal que ele se fortaleceu o suficiente no Brasil, mobilizou um grande número de pessoas para o seu projeto. Devemos também nos atentar para o fato de que esses eleitores estão se mobilizando para eleger seus senadores, deputados estaduais e federais e seus governadores, e além das urnas, esses planos estarão em nossa sociedade.
Devemos combater o ódio com a politização, entender que sim, as pessoas contempladas pela opinião de Jair Bolsonaro, seus filhos, General Mourão e toda sua corja e ideologia, em sua grande parte são machistas, racistas, LGBTfóbicos, mas há também os que veem no Bolsonaro um voto de protesto, um candidato anti sistêmico. Cabe a nós ampliarmos nossas discussões políticas, repolitizar nossa atual conjuntura e entendermos que o “fenômeno bolsanariano” é maior que apenas sua figura.



Texto por Vivian Piloto
Arte por José Augusto [Kiko]