14 de abr de 2018

Quem matou Marielle? Um mês do assasinato


Se você não se indignar com o "assassinato" de uma mulher preta, a qual se encontra no nível mais baixo da pirâmide hierárquica social, acadêmica e política, eu te convido a ler todas as estatísticas que mostram a produção científica de mulheres no Brasil, e com isso tente procurar as produções feitas por mulheres pretas. Depois procure sobre a equidade de gênero nos ambientes de trabalho, e então tente procurar sobre mercado de trabalho para mulheres pretas.

Se você não se indignou com a morte de uma representante política negra, eu te convido a pesquisar sobre as discrepâncias raciais dos poderes políticos, e mais do que isso, buscar sobre o papel de representatividade e o quanto ela é um importante vetor de motivação.

Marielle Franco foi executada na Lapa, Rio de Janeiro, de forma covarde e brutal, com quatro tiros na cabeça. Essa interrupção de sua vida aconteceu logo após ter sido oficializado sua atuação na comissão que fiscalizará o respeito aos direitos humanos nas operações da, tão falada, intervenção militar no Rio.

A polícia obteve as imagens das câmeras de rua, que gravaram o ocorrido sobre o carro de Marielle, a qual estava acompanhada de seu motorista, Anderson Pedro Gomes, e sua acessora. Treze tiros foram disparados. QUATRO na cabeça da vereadora. A munição pertencia a um lote vendido, em 2006, para a Polícia Federal de Brasília. Os criminosos fugiram sem levar "nada"... A vida de uma mulher preta, periférica, que dizia publicamente que o 41° batalhão da PM é conhecido como Batalhão da Morte.

"CHEGA de esculachar a população! CHEGA de matarem nossos jovens", Marielle posta no Twitter um dia antes de sua execução: "Quantos mais terão que morrer para que essa guerra acabe?". Agora sou eu quem pergunto, QUANTOS TERÃO QUE MORRER???

Esse ataque não se restringe a todo movimento negro. Por mais que pra nós o luto se prolongará. Esse ataque, de cunho político, mostra cada vez mais as faces desse governo autocrático. Esse ataque teve um objetivo: o de silenciar. Não apenas o povo preto, mas a oposição a esse governo. Um ataque repressivo a oposição é um ataque a democracia. Não aquela procedimental, mas, sim, aquela substancial.

E se você não se indignou, que seja forte, pois tempos sombrios virão.

MARIELLE VIVE!