16 de mar de 2018

A ditadura não avisa, quando você percebe é tarde demais.




Vamos partir do princípio? Isso tudo começou lá atrás, no dia 31 de agosto de 2016, no dia do golpe de estado contra nossa presidenta Dilma, quando o plano foi arquitetado para colocar o Temer golpista no poder, colocar ele no poder para quê? Para o homens brancos, velhos e engravatados conseguirem fazer o que quiserem, "com o Supremo, e com tudo".

A primeira meta foi qual? A reforma da previdência, tinha que ser aprovada de qualquer maneira, mas tem um porém, a reforma não tem votos suficientes (assim, precisavam agir por meios não convencionais então). A Constituição Federal de 1988 proíbe que seja aprovada qualquer emenda constitucional sob processo de intervenção militar, o Pezão (Governador do Rio de Janeiro pelo partido golpista) declara que o Rio de Janeiro está "ingovernável", mesmo as taxas de criminalidade não tendo mudado nos últimos anos, mas de repente não tem condições.

Então, Michel Temer decreta intervenção militar "na segurança pública”, o golpe militar foi dado, o motivo foi conseguir tempo para conseguir mais votos a favor da reforma. Somos reféns.

O responsável pela intervenção, nomeado por Temer, General Eduardo Villas Bôas, falou em uma reunião com o conselho da república, "Os militares precisam ter garantia de que não vai surgir uma nova Comissão da Verdade", se a partir daqui você não estava em pânico, agora é o momento de ficar!

Por quê? Eu vou te explicar.

Vocês sabem o que foi a comissão da verdade? Da importância dela e o mais importante, do contexto do por que ela foi tão necessária? A Comissão Nacional da Verdade é uma organização fundada pelo Governo Federal para apurar os crimes cometidos pelo Estado durante o período da ditadura militar.

Entenderam?

Agora vamos contextualizar… O exército estava nas ruas do Rio de Janeiro, tinham vários relatos, fotos e vídeos de abuso por parte dos militares com os moradores das comunidades, (nenhum desses relatos saíram nas grandes mídias como de se esperar).

A intervenção militar na segurança foi vendida para a população como qualquer outro regime totalitário, com a máscara de “proteção da família tradicional”, “quem não deve não teme”, “para livrar o país do comunismo”, “os militares só estão atrás dos bandidos”.

Porém, a gente sabe que isso não é verdade, nós sabemos que os militares não estão apenas atrás dos bandidos. Na verdade, sinceramente, não sabemos nem se eles de fato estão atrás dos bandidos, o que a gente sabe é que a “segurança pública” tem alvo de classe e cor. E sabe quem mais sabia disso? A Marielle Franco.

Vamos falar um pouco dela? Mulher, negra, mãe, feminista, socióloga, "cria da favela", como ela mesmo gostava de falar. Nascida no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro, em 27 de julho de 1979, Marielle Francisco da Silva, era referência na luta pelos direitos humanos. A mais recente conquista na área foi o mandato de vereadora na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, eleita pelo PSOL, quinta vereadora mais votada do estado.

Porém há duas semanas, Marielle havia assumido relatoria da Comissão da Câmara de Vereadores do Rio, criada para acompanhar a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. Ela vinha se posicionando publicamente contra a medida, também era inimiga declarada das UPPs e da Polícia Militar do Rio de Janeiro, denunciou o abuso de policiais do 41º BPM de Acari numa operação policial na Favela de Acari, e o envolvimento desses policiais na morte de dois jovens que foram baleados e jogados em um valão.

O que aconteceu?
Ontem dia 14/03/2018, Marielle foi executada, a tiros.
Um, dois, três, quatro tiros. No rosto.
Mais cinco no corpo.
Calada. Para sempre.

Ela não foi roubada, ela não havia recebido ameaças, ela foi seguida e executada. Ela se levantou para lutar pelo o que acreditava, e mais, ela lutou pelo o que era certo, pelo o que era justo, pelas minorias, ela levantou e gritou os abusos da polícia, sobre a falsa democracia. E ela morreu.

A nossa Polícia Militar e as nossas Forças Armadas são EXATAMENTE os mesmos da ditadura militar, não houve reforma, não tivemos ruptura concreta, nossas instituições são basicamente as mesmas. A ditadura não dá aviso prévio, quando você percebe é tarde demais.

MARIELLE FRANCO PRESENTE!