Entrevista | Murillo Zyess é rapper, bicha, preta e periférica


Murillo Zyess tem 22 anos, homem CIS, gay que mora na Quebrada da zona sul de São Paulo, faz o rap porque ama e porque encontrou na música uma forma de se fortalecer e resistir diante os preconceitos e as desigualdades que a sociedade nos apresenta diariamente.

Kevin Poliser: Quando o RAP aconteceu na sua vida?

Murillo Zyess: Na minha adolescência comecei a 'colar' em roles de rap com os meus primos, batalhas de Mc’s em fábricas de cultura e tal. Meus primos participavam das batalhas e logo em seguida começaram a compor também, isso me despertou para o gênero, fui conhecer outros Mc’s, ouvir outros sons e vi o quanto o rap poderia agregar na minha vida de todas as formas, mas principalmente em me fortalecer em ideias e na minha aceitação e etc.

KP: O RAP é visto como um gênero musical machista, homofóbico e misógino. Como você vê isso? O Fato de você ser um homem gay te afeta em algo no meio musical?

MZ: Infelizmente é sim, o pior é que o propósito do Rap é combater esses tipos de preconceitos. Acho que esses caras não entenderam direito os fundamentos? Mas enfim, nós estamos aí! As minas no rap estão roubando a cena, estão numa qualidade impecável em rima, em flow, temos muitas bichas em ascensão, infelizmente não temos muita mídia, mas acreditem muita bicha fazendo rap e rap de qualidade!

KP: Como é ser um artista independente, negro e gay no Brasil?

MZ: As oportunidades são mínimas, a gente na maioria das vezes tem de conciliar um trampo para poder nos sustentar, todos nós temos contas para pagar e então muita das vezes a gente tem que por nossa arte em segundo plano, levar como hobby. Viver de arte infelizmente acaba se tornando questão de sorte mesmo.

KP: O que te inspirou a escrever as músicas do seu primeiro EP "No Recinto"?

MZ: O meu EP é uma narrativa das minhas vivências desde meu período escolar até o atual. Desde os conflitos para lidar com os meus próprios medos, minhas próprias limitações e preconceitos das pessoas que me cercavam até agora com a minha aceitação, com o meu empoderamento e as novas experiências a partir dessa conquista. Tudo que eu falo eu vivi e vivo, acho que é por isso que consigo me conectar com as pessoas através da música, pela vivência que faz com que elas se identifiquem e isso é uma das maiores satisfações.

KP: Como surgiu a parceria com Glória Groove e Gu1hgo em "Liga o MIC"?

MZ: Quando eu estava fechando o repertório do EP, eu vi que eu precisava de uma música que fosse o ápice do projeto 'saca'? Eu amo parcerias, colaborações e acredito que a maioria das pessoas gostam também. Eu já havia trabalhado com o Gu1hgo no EP dele e foi uma experiência que me agregou muito em vários sentidos então de cara já quis que ele estivesse no meu projeto também. Na época da produção do meu EP eu estava ouvindo tanto o trampo da Glória eu já estava cantando “O Proceder” de trás para frente (risos). Cogitei que seria incrível ter ela também nessa colaboração, mas realmente não imaginei que aconteceria. Ainda sim fiz o convite para ela e para minha
surpresa ela aceitou, gravamos e foi uma das melhores experiências da minha carreira esse momento com os dois nos divertimos, eu aprendi muito, e o resultado foi essa faixa que eu amo!

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Ouça "Liga o Mic" parceria com Glória Groove e Gu1hgo




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