21 de fev de 2018

Eu, Tonya | Mulheres que não fazem parte da família margarina


Quem nunca sentiu que não se encaixa na realidade perfeita que o mundo de alguma maneira projetou pra gente?

Bom, é nesse ponto tão intenso que Eu, Tonya aborda e que infelizmente não chegou ao cinema de Sorocaba, amém torrent, e ao abordar esse tema em depoimentos de Tonya, Jeff Gillody (seu ex-marido), Lavona (sua mãe), Diane (sua treinadora) e por fim e a pior pessoa dessa história toda, Shawn (seu segurança).

A história do filme é sobre Tonya, uma moça caipira que teve o sonho louco de ser patinadora e sua mãe da maneira mais estranha, tóxica e bizarramente positiva a inseriu nesse sonho, tirando o melhor dela, mesmo quando ela não tinha mais forças para dar esse melhor.

Tonya, foi uma patinadora dos EUA que participou das Olimpíadas e que teria tudo para dar certo, se não fosse o fato de ela não se encaixar em padrão algum da sociedade, com uma família em crise, seus pais divorciados e sua péssima referência para entender o que era o amor, ela encontrou Jeff, o famoso embuste.

Jeff, surge do nada em sua vida, na pista de patinação, onde era o lugar em que ela vivia 8 horas do dia, treinando constantemente para ser a sua melhor versão nas competições e a partir do momento em que ele entra em sua história, tudo começa a ficar intenso, confuso e apaixonadamente tóxico.

Se não bastasse Jeff ser embuste, ele ainda tinha de brinde seu amigo, Shawn, um amigo que claramente se perdeu no tempo e perdeu a própria noção ao achar que era um espião e tinha reconhecimento internacional disso.

Ao se conectar com essas duas figuras machistas e sem pretensão alguma de mudar as próprias vidas, Tonya começa a perder os trilhos da sua vida e vivenciar o momento de mais encanto com as suas vitórias e em uma carga rápida de realidade, perder novamente tudo aquilo que ela ama,que é patinar ao ser acusada de estar conectada ao caso de Nancy Kerrigan, outra patinadora que sofreu uma lesão de um homem ligado a Shawn.

O filme é intenso e retrata a realidade doce e cruel do povo americano em amar e idolatrar seus ídolos e da mesma maneira os descartar, por não fazer parte da tradicional família margarina, sem se importar com qualquer esforço de Tonya para conquistar novamente o reconhecimento.

Eu, Tonya ainda tem o encanto de quebrar a quarta parede e nos conectar ainda mais com as questões da personagem que vive todo dia um caos diferente, seja por conta de sua mãe extremamente exigente ou seu marido abusivo e corrosivo ou por conta de Shawn, o fake segurança que não reconhece os limites da vida.

Margot Robbie que está a cada dia atuando de maneira mais impecável, não falhou ao estar nesse papel da mulher que não se enquadra nos padrões e que tenta ser livre, mesmo que tentando vencer em uma sociedade que claramente a quer puxar para baixo e a fazer sentir que só merece a derrota.

Ver sua atuação me fez ver Robbie além de Alerquina ou de qualquer outro personagem que ela fez, pois ela se superou e conectou temas como o feminismo, julgamento, casos de família e e entre todos outros problemas sociais da maneira mais visceral e mais sincera que eu gostaria de ter visto da mulher moderna dos anos 80 ou das mulheres modernas atuais que claramente não se encaixam no pacote da família margarina.