Entrevista | Gu1hgo traz empoderamento através do seu som


Artista desde os 14 anos Gu1hgo iniciou a sua carreira tocando em uma banda de rock hard core, aonde ficou por cerca de dois anos tocando em festivais e casas desse gênero.


Em paralelo a isso, ele começava a descobrir a sua sexualidade e outras formas artísticas que tinham mais a ver com ele e que eram bastante interessantes no seu ponto de vista. Descobriu  a arte drag e a importância daquele tipo de arte através de casas noturnas LGBTQ+. Não demorou muito para que ele começasse a fazer drag, viajou por todo Brasil, ganhou concursos, conheceu bastante gente e tudo isso agregou bastante a ele, deu experiência de palco e trouxe a coragem para ele fazer o que eu faz hoje em dia: RAP.



Saiba mais sobre a trajetória de Gu1hgo:

Kevin Poliser: Quando o RAP aconteceu na sua vida?  A maioria dos artistas do gênero são independentes, como você enxerga isso? 

Gu1hgo: Fiz drag por 6 anos da minha vida, chegou um momento em que eu não conseguia mais apenas dublar a verdade de outros artistas e comecei a pensar em fazer o meu som, as minhas músicas. 

E logo a minha experiência com música fazia toda a ligação das duas artes.

Comecei a escrever, coloquei tudo e todas as experiências até ali no papel e pouco tempo depois nascia o primeiro single.

(sobre os artistas do gênero e o cenário independente) Eu acredito que isso é uma coisa muito bacana na verdade, até porque, nessa indústria, eu tenho lá minhas dúvidas se esses artistas conseguiriam espaço, visibilidade ou até mesmo liberdade para cantar sobre suas realidades sem nenhuma retaliação, logo, não seria coerente fazer um som que carrega um contexto histórico de falar sobre sua realidade sem poder falar sobre isso como realmente é.

A verdade é que essa indústria sempre tentou maquiar a verdade, e falar de rap sem verdade seria tudo, menos rap. 

KP: Quais artistas te inspiram? 

Gu1hgo: Muita coisa serve de referência e inspiração.

Desde os desenhos do artista plástico Rafael Rocha, a arte de rua do Roni Evangelista, ou seja, não apenas artistas do ramo musical. Mas em se tratando de música eu tenho escutado bastante coisa, gosto dos franceses TAL e Stromae, do som dos rappers coreanos, CL, Jessi, J-Park e Gdragon.

KP: Por que você se intitula como o artista traz empoderamento em doses cavalares através do seu som?

Gu1hgo: Na realidade isso foi uma matéria que saiu a dois anos atrás e achamos bacana a descrição. Mas eu acredito que isso tem a ver com o discurso, com o que a minha música tenta passar. É claro que empoderamento vem de dentro, mas a música sempre ajuda e influência. Eu nunca fiz questão de ser um herói e minha música e meu discurso deixam isso ainda mais claro! Meu intuito sempre foi fazer com que as pessoas se sintam valorizadas por si mesmas, é fazer com que você se sinta forte apesar do mundo tentar de convencer do contrário.

KP: Como foi a produção do seu EP "Medusa"? 

Gu1hgo: Produzir o Medusa foi uma nova descoberta para mim! Eu aprendi muito nesses últimos anos e a produção desse EP é um reflexo disso. Eu conheci muito a meu respeito gravando as faixas, e descobri mais sobre meu processo criativo e minha voz. 

Eu sempre fui do “ao vivo”, sempre gostei do palco e era resistente ao estúdio, e durante as gravações fui me familiarizando com tudo e hoje é uma parte gostosa, mais uma parte boa do meu trabalho.

KP: Como rolou as parcerias com Linn da Quebrada em "Preta" e Murillo Zyess em "Dandara"?

Gu1hgo: Eu acho que tenho sorte! Mas também reconheço que isso é resultado de muito trabalho duro; meu e das pessoas que trabalham comigo.

Quero dizer, eu não teria a sorte que tenho se não tivesse um trabalho tão consistente e maduro. Acho que isso traz a confiança para convidar artistas como esses é mais ainda para que eles topem fazer esses trabalhos comigo. Linn era a pessoa certa para essa música (Preta), eu já era apaixonado e ela sempre foi uma verdadeira dama comigo. Linn é dessas pessoas que a gente se apaixona logo de cara e se impressiona assim que ela abre os vocais. E quanto ao Murillo eu não preciso nem dizer o quanto somos próximos! Gravamos no mesmo estúdio e temos o mesmo produtor e foi daí que essa amizade nasceu. O Murilo é um irmão, alguém que gosto muito e desses artistas que a inocência é transmitida no som. Por isso Dandara era a música perfeita, eu precisava de alguém que conseguir resumir a trama com delicadeza e o Muh foi lá e fez. Simples assim.

O som do Gu1hgo está disponível em todas as plataformas digitais. Acompanhe nas redes sociais: Gu1hgo.

Ouça Preta feat. com Linn da Quebrada:




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