19 de jan de 2018

A luta pela (sobre) vivência das pessoas trans


O Brasil é o país que mais mata pessoas transexuais e travestis do mundo e esses números dizem apenas sobre as mortes causadas diretamente pelo preconceito, mas se pensarmos na marginalização dessas pessoas, o número cresce consideravelmente. 

Coexistir em uma sociedade que nega os direitos mais básicos, não é uma tarefa fácil, impossibilita que se crie uma perspectiva de vida. A qual, em média, acaba muito cedo. Então é preciso que se fale sobre o assunto repetidas vezes. Até cansar ou até conseguir espaço para viver dignamente. As conversas sobre transexualidade têm aumentado, mas ainda sim são poucas coisas que atingem à grande massa. 

Às vezes nosso convívio social nos faz pensar que estamos vivendo em um mundo isento de preconceitos, mas é só sair na esquina, que ele se faz presente. 

Victor, um homem transexual, falou sobre a experiência que teve com o mercado de trabalho. Segundo ele, “é difícil encontrar algum emprego, porque logo de cara tem a dificuldade [quando os documentos ainda não estão readequados, principalmente] da aparência e o nome apresentado não condizerem com os dos documentos. Quando conseguimos a vaga, é difícil encontrar o espaço no trabalho sendo transexual, pois nem todos os lugares estão abertos a isso”.
Ele conta também que abandonou os estudos universitários devido à falta de colaboração da faculdade em respeitar sua transexualidade. 

Elisha, mulher transexual, negra, bissexual é resistência. O caso de transfobia pelo qual passou recentemente foi denunciado em rede social e causou grande repercussão. Alguns comentários de apoio e outros bastante maldosos, questionando coisas inquestionáveis ou irrelevantes à vida daquelas pessoas, foram feitos. Elisha disse “ontem eu fiquei mal, me senti péssima. Fui dormir com os comentários na cabeça. Mas, hoje teve uma reviravolta. O caso viralizou e muita gente me mandou mensagem de apoio e solidariedade”, além disso, ela foi amparada pelas associações transgênero de Sorocaba e LGBT. 

Victor e Elisha são jovens transexuais que lutam por espaço e por respeito como são verdadeiramente na sociedade. Questões, antes essenciais, ficaram em segundo plano. Ambos relatam que a rede de apoio que construíram foi de extrema importância, pois passaram a cuidar mais da saúde mental e a ter uma vida social como qualquer outra pessoa. São apenas jovens buscando construir uma vida, mas que são obrigados a passar por coisas que nós, pessoas cisgêneros, nem cogitamos a possibilidade, como é o caso do uso de banheiros em ambientes públicos. Uma exemplo de consequência desse absurdo, é o grande número de pessoas transgênero que desenvolvem problemas urinários, já que são impedidas de usar o banheiro. 

Elisha disse sobre o quanto a união, o coletivo, foram importantes para que se sentisse melhor em meio àquela chuva de preconceito. E é exatamente isso, as pessoas transgênero tem que ter oportunidades na vida, tem que ter direito a viver! 

Em janeiro, acontece o Mês da Visibilidade de Trans Sorocaba, com eventos que vão desde a exibição de documentários, rodas de conversas sobre saúde mental, uso do silicone industrial, relacionamento amoroso, um debate sobre a prostituição de pessoas trans como alternativa ao mercado de trabalho excludente, até a Marcha para Visibilidade Trans de Sorocaba. Os eventos estão no Facebook e é importante que o maior número possível de pessoas compareça, para que todos estejam engajados, juntos, nessa luta.