12 de nov de 2017

IV Curta Salto | Saiba tudo o que rolou no segundo dia do festival de curtas


Nos dias 30 e 31 de outubro aconteceu o IV Curta Salto, festival de curtas da cidade de Salto (SP), organizado pelos alunos de cinema do CEUNSP.

O Coletivo Caneca foi um dos patrocinadores do festival, e acompanhou os dois dias de exibição. O evento contou com 15 produções, e uma premiação.

Falaremos neste primeiro post, um pouco sobre o que rolou no primeiro dia (30/out). As fotos do evento você confere clicando aqui.

Segundo Dia

Cana



Enquanto Beto assiste ao jogo de futebol no bar, seus filhos estão jogando bola em um campo rodeado por um canavial, onde habita uma criatura pronta para devora-los.

Podemos ver no curta os adultos todos entretidos com o jogo, esquecendo completamente das crianças, e só se lembram na hora de voltarem para suas casas. 

O interessante do curta é que em nenhum momento ele mostra essa tal criatura e, mesmo assim, consegue criar um ambiente mais tenso, dando a sensação de que estávamos lá com as crianças. Não foi preciso ver a criatura para ter medo dela.  A belíssima direção de fotografia (por Laura Íori) imerge completamente o espectador na história. 

Giovani Beloto, diretor do curta-metragem, explicou para o Caneca como surgiu a ideia:

"Eu tive a ideia pro filme quando visitei o lugar; vi um campo de futebol com o canavial em volta e pensei (podia rolar uma história aqui) .Aí comecei a pensar nos temas possíveis, me veio na cabeça o folclore e o futebol; no início seria um filme sobre a Cuca pegando crianças que desobedeciam os pais, depois repensei e decidi fazer uma história sobre a desatenção. 
Mas desde o início tinha a intenção de fazer um filme de horror que não se debruçasse em clichês (tipo a violência explicita ou o escuro), um canavial é um bom lugar pra isso."

O curta foi produzido pelo o Bunker e 50 mm produções.

Quimera



Rodrigo é um jovem da periferia que enfrenta suas dificuldades financeiras para poder estudar enquanto seu pai se nega sobre sua decisão acreditando que a única solução seria trabalhando para ajudar a sustentar a casa.

Quimera significa um sonho, uma esperança, algo que tende a não se realizar. O curta mostra exatamente a esperança, e dificuldade, do garoto em busca do seu direito do ensino superior. Seu único apoio foi de sua mãe, diferente de seu pai ainda o fazia desacreditar ainda mais de seu sonho.

"O Quimera nasceu do desejo de falar sobre educação. Tendo em conta acontecimentos recentes que alteraram a educação do nosso país, o curta fala sobre a dificuldade de um garoto periférico que enfrenta problemas sociais e econômicos na busca pelo seu direito a um ensino superior de qualidade.
Agarrado no meu desejo de falar sobre educação, todo o processo criativo foi baseado em muita pesquisa. Saber exatamente qual abordagem ter para com esse assunto foi um dos principais focos da equipe. O Quimera teve sua ideia desenvolvida por mim e todo o roteiro escrito pelo João D'Araújo, que soube escrever muito bem acerca do tema e criar uma história muito bonita."  conta Bruno César, diretor do curta.

O curta, produzido pela Aliadas Produções, foi um dos destaques da noite. Dirigido por Bruno César e escrito por João D’Araújo.

Amortecido



Leonardo retorna depois de anos a casa de sua avó Lucia onde passou sua infância. Foi nesta mesma casa que sua mãe se matou quando ele ainda era uma criança. Neste período, ele revive suas lembranças relacionadas a morte de sua mãe, em busca de uma resolução emocional.
Amortecido é um curta completamente expressivo sobre todo o ódio e magoa que Leonardo sentia sobre a morte de sua mãe. Nessa visita a casa de sua avó, ele sente tudo novamente como se estivesse acontecendo novamente, mas dessa vez ele dá um fim aos seus questionamentos de ódio que tinha pelo suicídio de sua mãe.

O curta tem uma narrativa experimental e causou diversos questionamentos nos espectadores. 

Mãe de Maio



Fernanda é uma mãe solo de dois filhos e moradora de periferia, até que um dia seu filho sai e não volta mais.

O curta-metragem é baseado no movimento Mães de Maio formado por mães que perderam seus filhos durante a onda de crimes que ocorreram em São Paulo em 2006. A mensagem é muito clara e crua, mostrando o desespero da mãe do filho não voltar.

"Mãe de Maio" tecnicamente é louvável. Muito bem recebido, o curta surpreendeu a todos, principalmente pelo primor com o qual foi concebido.

Diga ao Meu Pai que Estou Bem



Ju é uma criança de 9 anos com dislexia que decide ir embora de casa por julgar ser um peso na vida de seu pai. 

O curta tem o intuito de mostra como a dislexia é tratada fazendo com que quem assista entenda melhor o que é esse transtorno. O assunto é abordado de uma maneira completamente diferente, mais descontraído e leve. 

Bruna Fracascio, diretora do curta, explicou como surgiu a ideia: 

"Eu tive a ideia do "Diga ao meu pai que estou bem" quando percebi que não tinha nenhuma bandeira levantada para crianças com dificuldades no aprendizado. Levando em conta que eu passei por diversos horrores na infância e na juventude por conta de portar dislexia e tdah, visto isso como uma ponte para dialogar com área da educação e com a relação de pais e filhos que sofrem por conta disso todos os dias. Decidir contar a minha história para esse público, decidi me tornar uma esperança a esses pais e essas crianças incompreendidas, porque para mim falar sobre esse tema na educação brasileira é como beijar o muro de Berlim todos os dias!
Sem contar que é um tema que ninguém aborda ou da atenção o suficiente para tornar totalmente visível essa causa!"

PS: Os personagens usam a mesma roupa para poder criar uma identidade visual para cada um deles (como se fosse desenhos animados). 

O curta emocionou a todos, tecnicamente preciso, a equipe do Caneca destaca a incrível trilha musical composta por Leonardo Zorzi. 

A Espada de São Jorge



Larissa é uma assistente social indicada para auxiliar Yumi, uma nissei idosa que vive isolada e quase não fala português, a se integrar à sociedade. As tentativas de aproximação apenas evidenciam o contraste cultural entre as personagens e quando Larissa acredita ter definitivamente falhado em sua missão, ela descobre uma ponte que pode ter convidado São Jorge ao altar de Buda.

O diretor do curta, Felipe Fré, comenta sobre o curta: Rodar o "Espada" foi uma satisfação muito grande. Eu gosto muito de utilizar a história como base para o drama.  A ideia surgiu de uma pesquisa que eu fazia sobre imigração japonesa onde eu descobri que ainda hoje existem nisseis (descendentes diretos dos imigrantes japoneses legítimos), principalmente que viveram em áreas mais afastadas, como a zona rural, que possuem extrema dificuldade de integração e praticamente não falam português. Eu senti que precisava muito contar uma história sobre alguém assim. Aí surgiu a dona Yumi, personagem principal do curta-metragem. Logo depois veio a Larissa, a assistente social que precisava de todas as formas se aproximar e tirar qualquer informação da nossa nissei. Eu tinha criado um conflito. Um conflito que eu amarrei através da religião como aspecto da identidade de cada uma das personagens. É justamente através da fé que descobre-se o que dois elementos tão distintos, quase incomunicáveis entre si, têm em comum. Rodamos durante dois finais de semana, no mês de julho, em Tietê - SP. Só tenho agradecer pela oportunidade de ter exibido meu primeiro filme. Agradeço aos meus familiares por todo o apoio, aos meus amigos - em especial a João Pedro Accinelli, Giovanna Zonta, Eliel Fabro e Vinícius Oliveira - aos meus mestres - em especial a Lilian Santiago que foi uma das pessoas que mais me motivou durante esse ano - e a todos que contribuíram direta ou indiretamente para que "A Espada de São Jorge" fosse realizado.

Equipe da produção 'A Espada de São Jorge' no palco para receber a menção honrosa no IV Curta Salto.
Foto: Cesar Puentes

O curta venceu o prêmio de menção honrosa e foi destacado por sua beleza estética e pela atuação da simpática dona Sizue.

Quando os Mocinhos Matam os Heróis



Conta a história de dois amigos, Gio e Júlio, que são vítimas de diferentes violências.

Gio sofre bullying e Júlio apanha do pai em casa. Independente disso eles vivem a vida deles, no mundo deles, um tentando proteger o outro.

Podemos ver no curta o quanto um depende do outro e também o quanto a amizade deles era importante. Os dois eram o escape um do outro, tentam constantemente fugir dessa realidade onde apanham.

"O curta foi feito após pensar na ideia de como seria se um amigo morresse, então ele passou a ser trabalhado em várias outras perspectivas a partir disso, como suicídio, violência contra o adolescente e outros subtemas. Apesar de passar pela sensação do luto com familiares não tão próximos eu imaginei que a morte de um amigo seria mais intensa. Dependendo da relação de amizade é difícil saber sobre tudo que a outra pessoa sente. Muitas vezes mesmo amigos não expõem os problemas que ocorrem na casa deles. O quão difícil é se colocar no lugar do outro quando você só suspeita que ele esteja agindo de uma certa maneira e quando algo acontece você fica imaginando o que poderia ter feito, mesmo que a culpa não seja sua."

A equipe do Caneca Sorocaba ressalta: o curta salto IV foi repleto de diversidade e qualidade, é cinema puro, em sua melhor essência.

Premiação


Os jurados do IV Curta Salto.
Foto: Cesar Puentes

Espada de São Jorge levou uma menção honrosa dos jurados, e 2071 levou o prêmio de melhor curta metragem.


CONFIRA AS FOTOS DO IV CURTA SALTO!