Entrevista | Rapper, preta, trans e tatuada. Conheça Odara Soares!


A música e outras manifestações artísticas que envolvem LGBTQ+ tem ganhado grande repercussão na mídia, não só na mídia brasileira, mas mundial. Alguns nomes como Pabllo Vittar, Glória Groove, Linn da Quebrada e Lininker ganharam grandes espaços na imprensa e tiveram suas vozes e lutas ouvidas. Precisamos valorizar artistas que estão começando e que fazem parte da região que é o caso da Rapper Odara. A sagitariana de 24 anos além de MC é fashion maker e model. Odara leva no seu som, a realidade de uma mulher trans negra e tatuada e combate o preconceito e opressões vividas diariamente por LGBTQ+ através da música. Trocamos uma palavra com ela, confira: 

Kevin Poliser: Quando você percebeu que não se encaixava no gênero que foi lhe designado?
Odara Soares: Desde criança, muito nova, percebi que era diferente pelo tratamento das outras crianças comigo, e conforme os anos iam se passando, cada vez mais entendia que era diferente...sempre tive a sensação de algo errado. Algo não estar no devido lugar, mas como criança nunca consegui notificar o que era.

KP: Para você o que é ser trans na sociedade?
OS: Ser trans é ser uma guerreira, heroína, com poderes semelhantes ao de uma fênix, que precisa chegar ao fim para renascer. Para mim ser trans é ser uma excelente player no jogo da vida. Driblando e hackeando o sistema que nitidamente não e inclusivo com pessoas trans. É ser de carne e osso, mas viver como se fosse de ferro.

KP: Quais são suas referências na música e qual artista é sinônimo de representatividade para você?
OS: Nick Minaj, Lauryn Hill, Azealia Banks, Tassia Reis, Linn da Quebrada, Glória Groove, e cia.

KP: O rap muitas vezes é considerado um gênero musical machista e misógino, como você vê isso?
OS: O rap é o berço do machismo. E consequentemente da misoginia, LGBTfobia etcs. Eu acho pesado, mas gosto de estar justamente aonde me dizem que não era para estar.  Minha existência era a última que era para estar nesse meio. Chegar nesse role para falar o que vivo, é revolucionário. Além do que rap é ritmo e poesia, voz dos oprimidos...

KP: Qual a importância da música para você se expressar?
OS: A música é importante porque eu precisava pôr para fora e falar. Se não meus pensamentos iriam acabar me matando.

KP: Quem curte seu som, pode esperar músicas novas vindo por aí?
OS: Podem esperar sim. Estou agilizando muita coisa e trabalhando em novos projetos. 

KP: O que você diria para quem passou por um processo de aceitação pessoal e da sociedade?
OS: Diria parabéns. Continue firme. Muitas pessoas se espelham em você.

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