IV Curta Salto | Saiba tudo o que rolou no primeiro dia do festival de curtas


Nos dias 30 e 31 de outubro aconteceu o IV Curta Salto, festival de curtas da cidade de Salto (SP), organizado pelos alunos de cinema do CEUNSP.

O Coletivo Caneca foi um dos patrocinadores do festival, e acompanhou os dois dias de exibição. O evento contou com 15 produções, e uma premiação.


Falaremos neste primeiro post, um pouco sobre o que rolou no primeiro dia (30/out). As fotos do evento você confere clicando aqui.

Primeiro Dia

Noites de Café


Curta dirigido por Beatriz Bidinotti, conta a história de Augusta, uma mãe que largou seu trabalho dos sonhos para poder cuidar dos filhos trabalhando em casa como doceira. Sua vida muda quando seu marido, Jair, não volta para casa depois de um dia de trabalho. Alguns dias se passam e Jair retorna, mas a verdade sobre seu sumiço não é revelada.
A trama mostra o lado da mãe, como ela lida com a situação, tendo que ouvir constantemente seus filhos perguntando se seu pai tinha voltado e onde estava. Ela teve que manter a calma e continuar trabalhando, mesmo estando desesperada por dentro, cogitando que seu marido tenha sido sequestrado ou morto.

Quando Jair retorna sem explicação, ele não revela nada sobre seu desaparecimento, apenas entra em casa esperando que tudo voltasse ao normal, mas a perspectiva de Augusta não é mais a mesma.

Beatriz revelou ao Caneca que "O curta-metragem foi um trabalho realizado pela AECA, sendo o projeto idealizado no ano passado a partir de histórias reais de conhecidos envolta do assunto, e enviado a uma banca seletora que o aprovou depois de duas fases. Com o intuito de mostrar o cotidiano da mulher comum, Noites de Café uniu alunos dos três primeiros anos do curso de cinema e alguns colaboradores e apoiadores. A história de Augusta é a da mulher que tem que cuidar dos filhos, da casa e aceitar um casamento desgastado que caiu na rotina. Um retrato do interior e do que a mulher passa para aceitação da sociedade, quanto submissão e também em um ponto religioso." 

Ricardo para Deputado


Dirigido por Stefanie Klein, o curta conta a história do vereador Ricardo, que tem uma relação de pai e filho com seu sobrinho, Pedro, que é gay. A relação acaba sendo abalada quando Ricardo é convidado para se passar por um candidato a deputado totalmente conservador só para ser conhecido. 

No curta mostra que Ricardo quer ser deputado mais do que tudo, mesmo que isso signifique acabar com essa relação de pai e filho que tinha com Pedro. Aparentemente, não é só para ser conhecido, mas também pelo salário que ganharia. 

Esta história expõe o quão longe uma pessoa pode ir só para ser conhecida ou para ter dinheiro. A pessoa muda completamente quem ela é e perde uma de suas relações mais importantes.

Algo pra chamar de lar


Nesta história, a mãe de João e Maria os mantem longe de tudo, fazendo eles acreditarem que a sociedade é perigosa. Um dia ela some, fazendo com que a vontade do João de sair daquela cresça. No entanto, ele não sai por causa de sua irmã que não o deixava. Maria tem uma obsessão estranha pelo João. 

Algo para Chamar de Lar é uma incógnita, mas ao longo do curta podemos perceber que há algo de errado com o João, e conforme a história se desenrola nós vamos descobrindo cada vez mais sobre essa vida caótica do dois.

Enrique Oliveira, roteirista do curta conta que "tudo começou em 2013, no ano que comecei a fazer teatro. Eu tinha uma amiga - curiosamente a atriz do curta -  que queria junto comigo fazer um filme. Mas sabendo da grandiosidade que seria fazer um filme, eu tinha que pensar em algo simples: dois personagens e um cenário não muito complicado. E contar essa história que se passa meio do mato acabou sendo a escolha perfeita. Durante um trabalho da disciplina de storytelling, tínhamos que fazer um roteiro de 15 minutos. E preso em uma semana de caos, sem novas ideias, resolvi buscar rascunhos que tinha guardado na gaveta. E lá estava ele, "Algo pra Chamar de Lar" um roteiro sem sentido sobre dois irmãos abandonados num fim de mundo."

O curta foi dirigido por Raquel Garcia, que se revelou um grande talento. A cinematografia do curta-metragem foi precisa, com destaque para a direção de fotografia, incrivelmente encantadora.

2071


Nicolas é um artista que acaba ficando louco quando descobre o segredo de uma determinada corporação. Ele fica louco e angustiado com tal descoberta e decide ir pessoalmente para obrigar o CEO da mesma a revelar o segredo para todos.

Essa corporação cria humanos artificiais há anos que são programados para influenciar as pessoas, assim, favorecendo o sistema. Esses humanos criados não fazem a mínima ideia de que são artificiais e de que esse é o proposito deles.

O segredo deixa Nicolas louco, questiona tudo a sua volta sobre o que é real e o que não é. Ao ir até a empresa, o CEO acaba colocando mais perguntas em sua cabeça sobre o que era real e sobre sua arte talvez ser uma influência desse segredo.

A produção é dirigida por Vinícius Feller, que junto com sua equipe recebeu o prêmio de melhor curta-metragem esse ano, no IV Curta Salto.

Equipe da produção '2071' recebendo no dia 31/out, o prêmio de melhor curta-metragem
Foto: Cesar Puentes

A premiação foi uma surpresa para muitos, o curta, foi tecnicamente preciso, o que agradou os jurados. O roteiro meramente previsível, faz uma grande crítica sobre a sociedade.

Phobos


Um dos curtas mais elogiados, Phobos mostra a história de Debra e Alma, que acabaram de se mudar para uma pacata cidade no interior onde pretendem começar suas vidas do zero. Mas logo Debra percebe algo estranho ao caminhar pelas ruas da cidade, ela sente que está sendo seguida, tanto que chega a um ponto onde compra uma faca para se proteger. O curta passa exatamente o medo de perseguição que todas as mulheres e LGBTs sentem ao andar na rua.

A imagem pode conter: 16 pessoas, pessoas sorrindo, pessoas em pé e área interna
Equipe de 'Phobos'.
Foto: Nina Hiraoka

A produção é dirigida por Nina Hiraoka (E recebe mais que um parabéns da equipe Caneca Sorocaba. FOI UM HINOO!).

Flores para Apreensão


Dirigido por Camila Ferreira, o curta mostra a vida de Bruna, uma jovem de 18 anos que se envolve com Fernando que foi preso por tráfico de drogas. Acompanhamos sua rotina, mostrando como é estar na pele de uma mulher desde a primeira visita em uma penitenciária.

O curta é baseado em histórias reais de mulheres que vistam as penitenciárias no interior de São Paulo, que é um assunto pouco citado no cinema brasileiro.

Bruna Maria, Camila Ferreira e Larissa Gomes, toda da equipe da produção 'Flores Para Apreensão'.
Foto: Victor Guimarães

O curta-metragem agradou muito a jurada Imara Reis, que teceu elogios para a produção.
Segundo a roteirista Larissa Gomes: "Foi uma honra receber os elogios de uma experiente e ilustre atriz, é incrível saber que as pessoas foram tocadas pela história de Bruna, que é a realidade de tantas mulheres brasileiras. Desde de o início da produção, a minha meta e da Camila, foi passar nossa mensagem, de forma simples e repleta de significados, mas a recepção foi ainda mais surpreendente."

Sem Memória


Aletheia é uma mulher grávida de origem japonesa que sofre um acidente de carro e perde sua memória. Ela passa seus dias tentado lembrar pelo menos um pouco de seu passado.

Podemos ver no começo sua dificuldade de se lembrar de seus familiares. Mas no final, ao ver seu marido, ela lembra de algo que preferiria não se lembrar nunca. 

A fotografia e a arte deixaram o ambiente com uma impressão de vazio fazendo com que sentíssemos exatamente o que a personagem sente. As cores neutras dão a sensação de um lugar sem recordações.  

A produção é dirigida por Mônica Ogaya e Robson Fernandes. (Destaque para o trabalho sensacional com as atrizes).


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