8 de out de 2017

Feminismo para todas | Como chegar a quem não tem vivencia no meio feminista


Os movimentos sociais brasileiros precisam ser transformados radicalmente, de modo em que sejam menos elitizados e atinja a toda a população, não só a pequenas bolhas sociais.

O feminismo é uma luta bastante ramificada, visto que as mulheres pertencem a diversos outros grupos sociais que constroem a realidade de formas específicas.

Atualmente a luta das mulheres não representa a todas. Não atinge as mulheres com mais vulnerabilidade. Não dá voz àquelas que são silenciadas diariamente. Não é interseccional.

Existem as demandas das mulheres negras. Das pobres. Das trans e travestis. Das lésbicas e bissexuais. E tudo isso acaba desconsiderado, como se essas mulheres não tivessem lugar dentro do próprio movimento que deveria as representar.

A valorização do local de fala, para que todas tenham o direito de clamar por suas necessidades, somada a uma forma não acadêmica, para que todas compreendam, de abordar o feminismo são maneiras de mostrar o real sentido da luta feminista àquelas que desconhecem o feminismo.

Levar o discurso - e colocá-lo em prática - em locais de difícil acesso e/ou com alguma vulnerabilidade social pode dar a oportunidade de levantar questões importantíssimas, mas que acabam esquecidas por quem não vive esta realidade, como a desigualdade racial e social, que faz com que estes temas ganhem força para ganhar a batalha legislamente.

Apesar de o feminismo ser responsável por inúmeras conquistas, as mulheres negras, trans, periféricas, lésbicas e bissexuais ou com alguma deficiência continuam extremamente marginalizadas. Dentro do próprio movimento! Isso soa um tanto quanto absurdo, não é? As mulheres negras recebem os salários mais baixos, as periféricas continuam apanhando dentro de casa por não terem a quem recorrer nem têm para onde ir. As trans e travestis nem conseguem emprego. Vão conseguir se sustentar como? Por isso acabam sendo forçadas à prostituição. As próprias delegacias da mulher não são consideradas seguras!

O feminismo precisa quebrar o estigma que construiu de que todas as mulheres são uma única classe. A gente vive no século XXI e ninguém é somente uma coisa. Ele precisa ser didático, eficaz, acolhedor a todas que precisam dele. Manter certos discursos, que acabam soando como preconceituosos, só nos afasta mais de um impulso para avançar na luta. Manter a mesma concepção da criação do movimento, não o torna adequado para representar a realidade atual.

A luta feminista precisa ser interseccionalizada para que todas possam ecoar suas vozes e levantar os braços em punho com a força que todas temos guardada, pelo simples (e difícil) fato de ser mulher.

Que todas as mulheres possam existir e serem vistas!