19 de set de 2017

Denúncia | Casos de homofobia e racismo na faculdade de Sorocaba


Sorocaba infelizmente é uma cidade conservadora, em pleno ano de 2017 ainda temos que lidar com casos de homofobia e racismo na cidade.

Recentemente ocorreu casos envolvendo alunos da faculdade de Medicina aqui da cidade, o relato foi feito por outro aluno também estudante da mesma instituição.

Vamos entender tudo o que houve:

Na festa dos calouros de medicina que ocorreu na Edub Two, houve violência por conta de HOMOFOBIA. Um aluno do 6º ano de medicina (isso mesmo, o aluno que já é quase um médico), foi expulso da festa por quase agredir um rapaz que, segundo ele, estava olhando para sua namorada. Após ser expulso, já fora da festa, o mesmo estudante agrediu um casal de meninos, gritando frases como "Não devemos ter isso em nossa faculdade, isso é errado" (vocês querem filhotes da direita conservadora e violenta, da juventude Bolsomito? Pode entrar então).

Os alunos agredidos não prestaram queixas por não querer se expor e por receio de "estragar a vida" do aluno agressor.

Após esse ocorrido, a faculdade se posicionou (Amém e parabéns a instituição por isso) com campanhas dentro do próprio prédio, com cartazes de conscientização sobre homofobia e violência, e também promoveu um evento intitulado "O I Encontro da Pluralidade e Diversidade apresenta: Sexualidade na Atualidade".


O evento foi criado no Facebook e divulgado em um grupo chamado "MEDSOROCABA SECRETO", onde tanto alunos quanto ex-alunos participam, e a partir dessa postagem, foi um show de horrores em relação aos comentários.

O aluno que denunciou tudo isso (que preferiu manter o nome em sigilo) separou algumas frases vistas no grupo:

"Esse CA só faz curso de coisa 'LGBT' Não existe mais liga normal que ensine um pouco de medicina e complemente os estudos?",

"Tô mais preocupado em saber quem vai substituir o Neymar no Barcelona",

"De boa, esse encontro em nada agrega a formação médica. Só serve para fazer proselitismos de determinada ideologia esquerdista (principalmente a de gênero) , pra "lacrar" com a galera da panela, para dar aquela sensação boa de que está mudando alguma coisa. Esse encontro é um sintoma de uma geração que quer estender a infância até o fim da faculdade. Que precisa de "espaços seguros" e se proteger de "micro agressões". Se nove anos de formado me ensinaram alguma coisa foi que os fatos não ligam para seus sentimentos. Ninguém liga se pra sua cor, pra sua origem, para o seu gênero, para sua orientação sexual quando vc tem que trabalhar, pagar contas , resolver problemas reais. Como diria Nelson Rodrigues, aconselho que cresçam."

Podemos esperar que talvez essa hostilidade seja algo que gays, negros, lésbicas, trans e mulheres tenham que lidar apenas na internet, onde os fascistas se escondem atrás do celular e computador, mas infelizmente a minoria lida com o preconceito e violência dentro do curso, que sabemos que é conhecido por ser elitista e por um longo histórico de violência nessa e em outras instituições.

E com isso o aluno, que além de ser estudante de medicina, também é gay, faz um relato para tentar explicar um pouco de como é ser aluno desse curso nessa instituição.

"Primeiramente, é quase como uma obrigação você ter alguma participação na atlética (órgão responsável pelos esportes na faculdade) de modo que a não participação te exclui do grupo geral e você já é visto como alguém estranho. Fazendo parte de uma minoria, é fácil acharem motivos para te excluírem, ainda mais existe a busca ativa de qualquer coisa que te faça diferente da maioria, por exemplo na sexualidade, se você não é assumido as pessoas procuram informações, já chegaram a olhar mensagens de conversas enquanto eu as enviava, é como uma necessidade de te assumir para todos ou uma necessidade de saber sua orientação sexual. E como demonstrado acima quando sabem sua orientação você leva consequências: como agressões, uma exclusão social maior, é alvo de piadas e diversos comentários.

Resumindo ser homossexual na PUC-SP Sorocaba, é viver nas sombras ou aguentar um monte de heteronormatividade sendo cuspida na sua cara, independente de quem você seja como pessoa você vai ser julgado e é essa a minha realidade."

Então fica aqui o questionamento, a nossa militância está ajudando e lutando para deixar os ambientes menos hostis e perigosos para as minorias?

Enquanto a militância muitas vezes se preocupa com outras coisas, a direita conservadora está organizada, está violenta e está ganhando forças.

Temos que parar, pensar e tentar conscientizar, chega de violência, acabamos de sair do mês da tolerância e orgulho LGBTQ, temos representantes da comunidade LGBTQ, de mulheres, de negros na mídia, nas salas de aulas, nas ruas.

E ainda sim somos oprimidos, ainda sim sofremos violência. Já deu o que tinha que dar, não temos mais que ficar escondidos.

Temos que lutar, e ser corajosos como esse aluno que expôs tudo isso! E que isso sirva de aviso para vermos que ainda tem muito pelo o que lutar, e temos que tomar cuidado, porque tudo isso está acontecendo aqui no quintal da nossa casa!