A juventude que está se afogando em expectativas frustradas


Olá! Aqui quem vós fala é a Ana Beatriz, que andou meio sumida dos textões no blog, eu tirei férias esse mês de agosto, eu também fiz aniversário (amém signo de leão), e no meio dessas várias coisas eu tive muito tempo para pensar  sobre como nós idealizamos nossa vida e como ficamos quando as coisas não saem do jeito que queremos e conforme ficamos mais velhos ficamos mais frustrados.

Vamos refletir sobre a juventude que está se afogando em expectativas frustradas?

Você já parou para pensar em quantas horas você tem que trabalhar para conseguir pagar a parcela do seu cartão? Quantos xingos, ofensas, broncas e assédios morais custaram aquela jaqueta supervalorizada que você comprou?

O medo de ficar para sempre na casa dos pais, o medo de não se formar na faculdade, o medo de ficar para trás no mercado, a preocupação de ter que trabalhar em um subemprego ou nunca ser efetivado no estágio, a opressão de todos os lados que sofremos pelo capitalismo está colocando um preço na nossa felicidade e saúde mental.

A imagem de felicidade que as mídias sociais mostram, o emprego ideal que permite você ter tatuagens e cabelo colorido, mas espera... ele paga muito mal. O emprego em uma multinacional que ganha bem, exige mais qualificação… ( que exige tempo e disposição, mas espera… nós não temos tempo para isso porque desperdiçamos o dia inteiro no trabalho) .

Ficamos nesse meio termo, querendo chegar onde idealizamos e não conseguimos ainda, e se matando no processo, sacrificando relações por não ter tempo ou cabeça para se dedicar mais a elas, e tudo isso em nome de ter, em nome de ser, por  medo de decepcionar nossos pais ou  decepcionar a imagem que temos de nós mesmos.

Nos perdemos nas tentativas de ter uma casa, um carro, de estar na sua profissão ideal e no emprego dos sonhos, mas tudo isso tem que ser antes dos 23 anos, porque é assim que as pessoas bem-sucedidas fazem.

A gente se preocupa de não ter conhecido 10 países ainda, porque nós vemos no Hypeness que os jovens fazem isso, mas não temos dinheiro nem para sair do estado se quer!

Estamos gratos por estarmos estagiando, mas ainda não paramos de pensar na dívida do FIES, nas parcelas vencendo do cartão, no preço do passe de ônibus, e que gastamos 40 reais na balada sendo que só podíamos gastar 15.

Acabamos querendo escapar da realidade bebendo demais, e ficando com gente demais, e dormindo demais de final de semana para tirar o sono atrasado, a gente milita nas redes sociais e usamos desculpas para não se envolver, e a nossa rotina fica assim, rápida, e os anos passam cada vez mais rápido, já estamos em agosto de 2017!

Logo menos a gente se forma, e esperávamos estar mais decididos, com a vida mais feita nessa época.

Mas não estamos, nós ainda não estamos no emprego que queremos, ou no relacionamento que queremos, temos DPS na faculdade e brigas mal resolvidas.

Nós não podemos jogar tudo para o alto e viajar o mundo porque não temos muito o que jogar.
Mal se formamos e nos recuperamos do dano mental que foi a faculdade e já estamos planejando fazer uma pós graduação.

A vida devia ser mais fácil depois dos 20, a vida devia ser mais como um episódio de Friends  e menos como um episódio de Two Broken Girls.
É muito triste ver uma geração inteira colocando pressão em sí mesmo para ser algo ou alguém melhor, como se só a gente não fosse o suficiente.
Esse texto vem menos em forma de problematização (coisa típica de euzinha ) e mais em forma de reflexão.

Vale sempre lembrar que

1. Você é o suficiente
2. Você tem seu próprio tempo

Espero que esse texto possa ajudar todos nós a refletir um pouquinho e tirar a pressão gigantesca que colocamos em nós mesmos!

Compartilhe

 
Copyright © Coletivo Caneca. OddThemes