3 de jul de 2017

Mais do que um junho colorido


Terminou o mês destinado ao orgulho e causa da comunidade LGBT de todo o mundo.

Vários eventos políticos e sociais com essa temática aconteceram neste mês, tais como as Paradas LGBT de São Paulo, Nova York e de Istambul. Mas você sabe por que o mês de Junho é tão especial para essa causa ?

A iniciativa relacionada ao mês de Junho tem como referência um acontecimento ocorrido no ano de 1969, nos Estados Unidos, na cidade de Nova York. Na madrugada do dia 28/06 daquele ano, vários homossexuais que estavam num bar gay e recreativo chamado Stonewall Inn tiveram um motim com a polícia local, onde todas aquelas pessoas resolveram enfrentar a ação policial que pretendia coibir, permanecendo confinados dentro do bar por vários dias seguidos. Acontece que, paralelamente a isso, houve uma aglomeração de gays e lésbicas, do lado de fora do bar, que conferiam resistência aos policias e apoio aos frequentadores do Stonewall. Esse episódio foi muito emblemático e passou a ser referência na luta e na libertação da comunidade gay, e consequentemente, agregando ao dia 28 de Junho a alcunha de Dia Internacional do Orgulho Gay. Em 2016, o ex-presidente dos EUA, Barack Obama, oficializou o bar como um monumento à causa.

O mês de Junho é um período de celebração e orgulho pra toda uma comunidade, e mais do que isso, ele nos mostra que ainda há muito a ser feito na luta contra o preconceito e a homofobia.

Em todo o mundo, cerca de 72 países criminalizam a homossexualidade, sendo a grande maioria de cultura islâmica, na África e no Oriente Médio. Por sua vez, aproximadamente 47 países reconhecem as relações e casamentos homoafetivos, sendo possível adotar crianças em apenas 26 deles. Nos casos mais extremos, isto é, aqueles países que admitem pena de morte a gays, destacam-se o Irã, Arábia Saudita, Sudão, Iraque, Iêmen e partes da Nigéria e da Somália. Nesses últimos casos, é possível observar referências religiosas na aplicação dessas leis LGBTFóbicas, assim como, Paradas LGBT’s que vêm como reações às leis ao preconceito e por isso, assumem cada vez mais um papel político e de mudança de sociedade.

Como exemplo, no dia 25/06, a polícia turca fez valer o decreto que proibia a parada anual do orgulho gay e transgênero, bloqueando ruas e dispersando grupos e coletivos de defesa dos homossexuais que se reuniam no local. Houve confrontos policiais, detenções de manifestantes e inclusive de testemunhas. Esse tipo de confronto não é inédito, dado que ocorreu de forma muito similar no ano de 2015. A proibição pelo presidente Erdogan, em ambos os casos, se deu devido a ameaça de retaliação à parada feita pelo grupo Ultranacionalista da Turquia Alperen Hearths. Apesar da proibição, Istambul é tida comumente como um local seguro à comunidade LGBT, e sua parada se tornou uma das expressões políticas mais importantes do mundo muçulmano  desde 2003, crescendo em público e se tradicionalizando pelo tom alegre e festivo.

Já no contexto brasileiro, na tarde do dia 18/06, aconteceu na Avenida Paulista, em São Paulo, a 21ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, sob o seguinte tema: “Independente de nossas crenças, nenhuma religião é Lei ! Todas e Todos por um Estado laico.” Além da perspectiva de mudar alguns conceitos e preceitos da dinâmica da sociedade atual e principalmente, da interferência religiosa nessa dinâmica, a Parada de São Paulo assumiu seu caráter político e serviu de palco para diversos protestos contra o Governo de Michel Temer, além de pedidos por Diretas Já. A organização do evento, a Associação da Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros de São Paulo (Apoglbt), contabilizou um público entre 2 à 3 milhões de pessoas, que festejaram ao som de trios elétricos de expoentes do cenário nacional, como Anitta, Pablo Vittar e Daniela MercuryBom, o que se percebe é que eventos desse tipo têm a tendência a contribuir com uma aproximação entre a política e os anseios da comunidade LGBT, e que apesar de muito vagarosa, pode se concretizar cada vez mais num cenário próximo. #BePride.