Entrevista | Letícia Marques do projeto 'Faça Você Mesma'


A cena Ritot Grrl, vem crescendo a todo momento, com bandas independentes e nesse impulso de crescimento da cena independente, veio as minas, aprendendo, empoderando e engajando outras e a se desafiar no ambiente musical.

Girls Rock Camp, tem essa proposta, de incentivar meninas e mulheres a conhecer sobre um instrumento, conhecer como escrever letras e ainda dá oficinas que vão de yoga a produção de fanzine.

O empoderamento é constante no projeto e nesses dias de camp, é possível perceber o quanto as minas podem fazer muito, já que o evento é todo idealizado de mulheres para mulheres.
Letícia Marques, decidiu então documentar esse movimento, conhecer as mulheres que vem guiando o movimento e como levar esse empoderamento adiante.
E se você, assim como eu, ama essa cena e projetos independentes, não pode deixar de participar do Catarse que tá rolando!

Como foi o processo de criação do Faça você mesma?
O processo se iniciou em maio de 2016 quando eu decidi fazer uma residência em NYC e levar a ideia do filme para desenvolve lo lá, no Union Docs. Filmamos 3 entrevistas e levei este material comigo. Foram 4 semanas de apresentações, reescrevendo uma proposta de documentário, assistindo filmes e pensando em documentários então foi de lá que a ideia do filme, conceito e forma surgiu. Voltando para o Brasil começamos a filmar a Flavia no Girls Rock Camp mas só a partir de março com de fato uma direção de fotografia é que chegamos na forma final do filme, já também contando com 21 entrevistas. O filme então é uma mescla de entrevistas e cenas em estilo observacional onde acompanhamos nossas personagens, o qual ainda precisamos filmar duas personagens para completar o filme.

Resumindo, o processo então se deu muito nessas quatro semanas de residência e de fato começando a filmar e acompanhar algumas mulheres para então chegarmos no promo que foi lançado no dia 13 de junho.

Como tem visto a cena independente, acredita que teve evoluções?
Acredito que sim, com uma maior repercussão da própria internet, acho que hoje a comunicação está mais direta, conseguimos conversar e atingir mais pessoas, nos articular, fazer festivais de música e agregar mais pessoas. Tanto na música como no cinema que é a minha área, tenho acesso a muitos documentários por exemplo que alguns anos atrás não seria viável, então acabamos apoiando muito mais pessoas porque temos este acesso e também conhecendo mais pessoas ligadas aos nosso gostos. E os nichos de fato tiveram um boom por causa deste acesso através da internet, você pode ouvir praticamente o que quiser online assim como ver qualquer filme em qualquer gênero, é só pesquisar que você encontrará seus nichos.
Em 2016 acho que teve uma retomada desta cena independente de musica especificamente a riot grrrl. Acredito que tivemos um boom lá no inicio dos anos 2000 com muitos festivais de musica, bandas surgiram e amizades entre as mulheres até que muitas bandas acabaram e acredito que hoje esta cena retoma com diferentes bandas e festivais. No cinema também alguns grupos voltados para produção audiovisual, mulheres se unindo para ocupar espaço e fazer filmes e fazer com que eles sejam vistos.

Através do Girls Rock Camp, o que você leva e que te ajudou na militância?
Eu nao participei do Girls Rock Camp como voluntária ainda, fui filmar a Flavia no Camp de 2016 assim como fazer entrevistas com as mulheres que estavam lá e que participaram da cena e ainda participam.

E na cena cinematográfica? Tem visto mais visibilidade se sim, quais artistas te inspiram?
Tenho visto mais visibilidade sim nos últimos anos. Grupos sendo criados de apoio as mulheres no Audiovisual, mais procura por mulheres e também diretoras que não se identificam no gênero feminino, em NYC tive a oportunidade de conhecer produtoras, documentaristas, incubadoras voltadas a apoiar mulheres diretoras e com conteúdos voltados a questa social, grupos de mulheres que se encontram para falar de cinema, e não só na independente, próxima de mim, mas como em cenas maiores, com atrizes financiando projetos que acreditam e sendo produtoras executivas.
Uma que sempre me inspirou foi a Ilene Chaiken, produtora executiva da série The L Word, ela resolveu fazer uma série inédita que marcou muita gente e hoje você olha, se passaram 10 anos e quais séries de fato foram tao significativas nestes ultimos anos falando de mulheres? Mas aí veio também a Jill Solloway com Transparent . A Kimberly Pierce diretora de Meninos nao Choram também me marcou bastante. E teve um filme que me marcou bastante o Go Fish da Rose Troche, apesar que ela depois teve destaque só em alguns episódios dirigidos no The L Word. A Sarah  Polley é uma diretora que gosto muito também. Gosto também de Gus Van Sant.
Nos documentarios a francesa Agnes Varda sempre foi uma inspiração. Outras artistas: Nan Goldin, Lynn Breedlove,Leslie Feinberg, Kathleen Hanna e Carie Brownstein.

Que dicas daria para minas que querem se arriscar no meio audiovisual?
Tem que ir atrás, ser persistente, fazer contatos, se articular e tentar encontrar as pessoas que podem somar com você. E acho que se você quer fazer filmes, o que importa é começar a fazer. Acho que minha dica 1 é faça, comece a fazer porque é assim que você vai ganhar experiência.

Como está o projeto no Catarse? Tem tido avanços?
O Catarse está indo bem, estamos acima de 17% da nossa campanha e ainda não fechamos o primeiro mês. Temos mais 2 meses para concluir. Já temos mais de 70 apoiadores e isso realmente é incrível! Estamos bem confiantes que conseguiremos atingir nossa meta, temos tido bastante compartilhamento e apoio nas redes sociais e cobertura da mídia.

Quais as próximas metas, após a conclusão desse projeto?
Será voltar ao meu projeto de longa metragem de documentário sobre cidades, dar continuidade e buscar parcerias para este projeto. Além deste tenho uma série de 13 episódios, sobre ações sustentáveis e Permacultura que começaremos a filmar em breve. Você pode acompanha los na pagina www.vimeo.com/sheepfilmes.

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