16 de jun de 2017

Entrevista | Rapper Vennuz MC


Estive na Virada Clandestina que aconteceu esse final de semana, idealizado pelas artistas Juliana Franco, Law Nascimento e Laís Alexandre.

O rolê no todo foi incrível, teve todo bonde LGBT mostrando sua arte em diversas formas, desde o desenho a rimas e muito mais.

Um artista que me chamou muita atenção foi Vennuz MC, eu tinha ouvido seu som quando foi lançado e já achei incrível por conta dos temas que ele traz e como traz, sua maneira de lidar com a poesia, a rima, o amor e o sexo de um jeito sensacional. E no show, você se contagia ainda mais pela presença do rapper e seu estilo divertido de tratar assuntos polêmicos.

Ficou interessado em saber quem é ele?

Acompanha a matéria e conheça mais esse boy maravilhoso que a cada dia admiro mais.

Como surgiu o Vennuz MC?
Então, eu  gostava muito de falar o que Vennuz MC tinha surgido simplesmente pelo fato de eu gostar da estética do nome Vênus e do jeito que era montada e pela questão de planetas, demorou pra eu entender que na verdade Vennuz MC era o espirito de um ator pornô dos anos 80 que morreu esfaqueado por um skinhead.
O que acontece, ele veio até a mim, e eu sempre gostei muito de escrever e ele tem a necessidade de se expressar, de falar e a gente juntou o útil ao agradável.
A gente é a mesma pessoa no fim das contas, mas ele tem uma história a parte.

Quais suas referências musicais?
Eu tenho muita influência de musica pop e em determinado momento da minha vida eu tava cansado do que o pop me passava e assim eu conheci o rap.
Eu sempre gostei muito de escrever poesias e eu comecei a perceber que a maneira como eu escrevia poesias mudaram e eu fui percebendo que na verdade eu estava fazendo rap.
Rapper nacionais que eu curto muito é Black Alien, Emicida,Criolo, Karol Conka, Flora Matos  e de internacional, eu gosto muito de Lil Wayne, Nick Minaj, Azelia Banks e também tem outros gêneros, que são mais voltados pro pop.
Eu procuro me manter atualizado e gosto muito de indie pop e acho que o cenário pop atualmente anda interessante e gosto muito muito de pop e tenho referências do pop, mesmo sendo rap.

Como a militância LGBT vem influenciando sua vida?
A militância LGBT acabou aparecendo na minha vida de forma extremamente orgânica e o que acontece quando você percebe que tem coisas erradas ao seu redor, você tem duas escolhas, ou ser insolente e folgado ou se calar e viver uma vida de ilusão,
No meu caso, eu não costumo dizer que eu sou militante, gosto de escrever, me expressar, fotografar e as coisas acabam acontecendo da maneira mais natural possível.
Eu sei quem eu devo priorizar na minha arte, mas também eu não gosto de dar tudo mastigado, e determinar que a minha arte é pra isso ou pra aquilo.
Eu faço sim pensando no meu ciclo de amizades, em pessoas que sei que curtem o meu trabalho e solto pro universo e não gosto de falar que sou militante, acho que é um termo ultrapassado, talvez.
Eu gosto de fazer as minhas paradas e já era, o que as pessoas acham que eu estou fazendo é consequência,

Depois de sair do armário, percebeu muitas mudanças e tratamentos diferentes de outras pessoas ?
Pra ser sincero, eu acho que não sofri muito não, a partir do momento que eu comecei a dizer que eu era bi e depois gay, eu acho que já estava com a mente mais despreocupada e o meio que eu andava era meio que igual a mim e as pessoas que eu andava também estavam saindo do armário e com a minha família foi de boa .
E o resto da sociedade eu sempre lidei bem, eu era uma criança afeminada e na escola eu dava muita pinta e o que acontecia, nessa fase eu não tinha forças pra dizer que eu era viado mesmo, que dava pinta mesmo e foi difícil, mas quando eu comecei a agir dessa maneira tipo foda-se, quando eu comecei a agir dessa forma, foi a melhor coisa que eu poderia ter feito.
Opinião alheia é extremamente indiferente pra mim.

Enquanto homem negro gay, que referências da militância te guiam e te inspiram em suas letras e em seu empoderamento?
Eu acredito que as minhas letras tem um teor sexual, até quando eu abordo um tema sério, eu acredito que a minha voz tem uma entonação diferente e muitas pessoas dizem que eu tenho uma voz sexy.
Eu gosto muito de falar sobre a sexualidade na minha arte e acredito que seja uma forma de empoderamento, e as pessoas costumam pensar que o homossexual só pensa em sexo e não que meu intuito seja reforçar isso, mas eu sei que eu sou inteligente e sim, gay também é putaria, hétero também é putaria.
Eu não vou deixar de escrever e compor, porque as pessoas estão meio que acostumadas a esse jeito, então acredito que meu maior empoderamento seja toda essa propriedade para de falar de sexo de falar de sexo, sem me sentir constrangido.
Eu gosto muito de falar sobre, adoro mesmo escrever sobre isso e me sinto confortável, entretanto, eu to numa fase em que eu to adotando outros métodos de composição, não posso ficar na mesma tecla.
Eu to numa fase de entrar em outras temáticas e acredito que meus experimentos com esses novos temas e sem sentir culpado, independente do que for o assunto, escrever sem medo.
A militância me guia desse jeito.

Existe a possibilidade de mais algum clipe do EP CTRL + X?
Não existe a possibilidade de continuar o projeto, eu fiz em outro momento da vida, eu to em outro momento, to com outras referências, meu intuito agora tem outras referências.
O EP eu foi um experimento, eu tava louco pra me expressar, eu peguei beats da internet e foi meio que ilegal e está preso no youtube e não posso nem subir no spotify.
Atualmente eu to indo pra outros estúdios, comprado beats e to mais focado em comprar meus beats e divulgar as faixas individualmente e trabalhar com o visual de cada faixa.



Quais os próximos projetos para esse segundo semestre? 
Quero lançar faixas individuais e trabalhar o audiovisual de cada faixa e ser mais estrategista a soltar faixas. Eu quero visibilidade e existem metódos pra alcançar o publico e quero que minha mensagem seja espalhada e todo trabalho que eu tive no EP,  e planejar um conceito pra cada faixa, pra cada verso.
Meu foco é ir soltando aos poucos faixas que eu considero muito boas e focar na parte audiovisual. 
Comunidade LGBT precisa de referência, precisa de pessoas que façam um trabalho tão bom quanto dos héteros. 
Eu não posso simplesmente soltar musicas de forma aleatória, sem pensar na estética e acredito que tem todo um conjunto que faz chegar de uma forma bacana,esse é meu foco.
Eu quero fechar parcerias com outros rappers, até mesmo rappers héteros, porque eu tenho meu publico LGBT, mas eu também acho que a minha musica deve ser espalhada como uma forma de conscientização.
Quero também fazer parcerias com quem agrega, independente de gênero ou gênero musical.
São esses meus planos e atingir ainda mais pessoas e conscientizar mais pessoas, pra que minha mensagem seja espalhada.

Gostou do Vennuz MC?

Confira seu primeiro clipe "Madaleno".