14 de nov de 2018

Festival Fábrica é cancelado após mudanças repentinas


Atualizado às 17h22, em 14/11

Festival é cancelado após declarar esta semana que teria local e line-up alterados. A mudança teria sido motivada por possível chuva nos dois do evento que aconteceria, de início, no Parque Tecnológico de Sorocaba.

A banda Oingo Boingo Former Members não estaria presente por motivos particulares e a redução do número palcos fez com que todo o line-up fosse alterado. Essas situações somadas à inviabilidade de conseguir um novo local para realizar os shows, com todas as licenças necessárias em tempo hábil, fez com que o cancelamento fosse a única opção.

Os valores dos ingressos adquiridos de forma antecipada serão ressarcidos ao público. A política de ressarcimento ainda será divulgada em um novo pronunciamento da organização. Em nota divulgada pela assessoria, os organizadores disseram que darão todo suporte ao público. "em respeito ao nosso público, vamos buscar todas as informações para divulgar com clareza todo o procedimento de estorno dos valores."

Os produtores ainda lamentam o cancelamento da primeira edição do Fábrica. "Lamentamos muito e fizemos de tudo para manter parte das atrações e cumprir com nosso compromisso com o público, mas é nosso dever pensar em segurança em primeiro lugar e diante disso optamos pelo cancelamento." dizem.

Fábrica Festival muda line-up e local do evento


Há menos de um mês para acontecer, o Fábrica Festival anunciou a alteração de local e de line-up para os dois dias de evento. Através do site oficial, a organização esclarece que a mudança de local ocorreu devido à possibilidade de chuva nos dois dias do festival, por isso a alteração para o Sallimas Centro de Eventos, localizado na Av. Comendador Pereira Inácio.

Esta alteração fez com que o número de palcos se reduzisse para apenas um. Consequentemente o  line-up também foi reduzido para que o festival se adequasse aos 6 mil km² da nova área. A banda Oingo Boingo Former Members, que se apresentaria no sábado não poderá marcar presença no primeiro Fábrica Festival por motivos pessoais do grupo. Apesar disso, as atrações internacionais como Information Society, Soul Asylum e Snake e as nacionais Pitty, Plebe Rude, Supercombo e Far From Alaska ainda estão confirmadas.

Para mais informações, a organização separou um espaço no site para você tirar todas as suas dúvidas e aproveitar o melhor que o festival pode oferecer!

Texto: Rodrigo Honorato
Imagem: Internet (Divulgação)

7 de nov de 2018

É hora de votar! | Caneca Awards 2018 abre período de votação


Falta pouco mais de um mês para 2018 acabar e é claro que este ano não seria diferente. Isso significa o que? Ta na hora de relembrar como foi o ano de 2018 e votar nxs favoritxs que receberão o prêmio na 2ª edição do Caneca Awards, que acontece no dia 09 de dezembro

Seguindo a mesma linha de divulgação da edição anterior, o evento será realizado como uma secret party. Até o dia do evento, o Caneca soltará algumas dicas através de sua página do Facebook para que o público desvende o local que sediará a premiação mais aguardada do cenário alternativo de Sorocaba e região.

Ao todo serão 20 premiadxs e xs indicadxs estão divididxs em 4 grupos, sendo eles: música, rolê, arte e social. Através da premiação, o Coletivo Caneca buscará evidenciar pessoas e projetos que enalteçam a diversidade dentro do cenário da cidade.

Sem mais delongas.. People, start your enginees and may the best person win!




Texto: Rodrigo Honorato
Imagem: Kiko

DragQueens ganham episódio especial em "Os Simpsons"


Em sua 30ª temporada, a FOX decidiu trazer mais personagens do cenário LGBT para "Os Simpsons". Duas drags mundialmente conhecidas participarão de um episódio especial do desenho pela primeira vez. No final de outubro, RuPaul postou em seu perfil do Instagram uma imagem de sua personagem na animação, confirmando sua participação.

Além dela, a vencedora da terceira temporada do reality de dragqueens, Raja, também ganhará presença no episódio. Um dia antes em que Mama Ru revelou a notícia de sua participação, Raja Gemini postou também em seu Instagram uma foto de sua personagem.


O episódio, nomeado "Werking Mum", será exibido no dia 18 deste mês. Além das celebridades, dois personagens clássicos também terão papéis de Drag: Marge e Homer Simpson. A FOX divulgou recentemente algumas imagens em que podemos ver Homer usando uma peruca loira, um vestido preto e abrindo espacate em uma passarela bem familiar aos fãs do reality show "RuPaul's Drag Race".



Texto: Rodrigo Honorato
Imagens: FOX/Divulgação

5 de nov de 2018

E o meu final feliz? A representatividade lésbica na 7ª arte


Sair do armário é difícil, nós sabemos. Carregamos nas costas as expectativas de muitas pessoas em nossa volta e temos que lidar com nos entender e tentar compreender o processo de assimilação de quem nos ama. Claro que estou falando das pessoas que se assumem e não recebem nenhum ato de violência como resposta da família que, embora triste, é muito comum e, com certeza, é o pior de todos.

O processo de assimilação é complicado, pois vemos héteros o tempo todo nos livros, nos filmes, nas séries, nas novelas e em qualquer conteúdo que consumimos. E, em um ato de se encontrar, sempre buscamos personagens e personalidades LGBTQIA+ para que tenhamos o mínimo de representação. Acontece que, majoritariamente, eles não têm final feliz..

Nas novelas, os gays são estereotipados como os ‘histéricos’ e sempre amigos de madames, como Crô e Téo Pereira. Se são duas mulheres, por pressão popular, o casal sofre algumas alterações de roteiro. Clara e Marina foram rejeitadas, mas que tiveram final feliz, podendo colocar a história delas como exceção. Em Babilônia, o casal vivido por Nathália Timberg e Fernanda Montenegro, foi hostilizado não só com ofensas homofóbicas e lesbofóbicas, como também de cunho ageista. Atualmente, a novela das 21h, da rede Globo, tem Maura que, no início da trama, se declarava lésbica e agora está apaixonada por um homem.


Falando especificamente de mulheres que amam mulheres na 7ª arte, além de não terminarem juntas, as personagens, muitas vezes, são usadas para satisfazer o prazer masculino, como se o "ser lésbica" fosse fetiche. Um clássico assim é do longa “Azul é a cor mais quente” que, além de não seguir o roteiro dos quadrinhos (que é maravilhoso), estereotipa de todas as formas possíveis o amor entre duas mulheres.

Há diversos roteiros, como “Um quarto em Roma”, “Assunto de Meninas”, “Flores Raras” e “Amor por Direito”, que nos negam um final feliz, mas claro que não poderíamos deixar de lado as histórias que realmente deram certo. “Imagina eu & você” e até mesmo “Carol” (indicado em seis categorias no Oscar), que causou uma dúvida sobre qual teria sido o final do casal. Inclusive, o livro homônimo foi o primeiro que teve um final feliz para um casal de lésbicas, já que sempre uma morria, um homem surgia ou qualquer outra circunstância que pudesse afastá-las, como em “Minhas mães e meu pai”, que uma das mães se envolve sexualmente com o doador do espermatozoide.

No cinema também há uma série de casais que surgem tão rápido que a gente não consegue nem entender. Em “Fome de Viver”, Catherine Deneuve e Susan Sarandon aparecem como casal em dado momento da história.
E então, eu, no auge da minha autodescoberta, pensei: eu vou terminar como Therese e Carol ou como Adele e Emma? Eu vou ou não ter meu final feliz?


A dramaturgia tem um compromisso com a arte e também um compromisso com a representatividade. Há espaço para distopias, ação, fantasias e drama reais. Nós somos reais e olhe onde estamos? Nossa sexualidade não é o problema central da história, não é o empecilho no meio da jornada do herói. Não precisa ser resolvido. É parte de quem somos.

Quando começarmos a pensar assim e cobrar isso, vamos ter, de fato, papéis representativos e reais para que jovens assustadxs e curiosxs que precisam se nortear e se espelhar. Vamos ter mais entendimento e, principalmente, esperança de que teremos nossos finais felizes.

Texto por 

25 de out de 2018

Fábrica Festival agita cenário musical de Sorocaba em dezembro


O Fábrica Festival é mais um festival de música que acontece anualmente na cidade de Sorocaba. Na edição desse ano, o evento acontecerá no Parque Tecnológico de Sorocaba, localizado no Jardim Santa Cecília (Zona Norte de Sorocaba), entre os dias 01 e 02 de dezembro. O line-up completo* do evento saiu nesta semana e promete agradar muita gente.

Logo no primeiro dia, nomes como Dingo Boingo Former Members, Pitty, Projota Os Mutantes ganham destaque na programação que começa às 10h da manhã. Já no domingo, artistas como Soul Asylum, Information Society, Frejat e Nação Zumbi sobem ao palco a partir do mesmo horário de sábado.

Os ingressos já estão disponíveis. Para adquirir o seu, basta clicar aqui!


*Confira a lista completa de artistas de cada dia:

Sábado (01 de dezembro)

  • Oingo Boingo Former Members
  • Pitty
  • Projota
  • Os Mutantes
  • Rincon Sapiência
  • Snake
  • Playing for Change
  • Supercombo
  • Far From Alaska
  • Bit Beat Bite Bright 
  • Tique
  • DJs: Guss, Mau Mau, Renato Cohen, Vivi Seixas e Caio Foglieni

Domingo (02 de dezembro)
  • Soul Asylum
  • Information Society
  • Frejat
  • Nação Zumbi
  • Baiana System
  • Scalene
  • Nenhum de Nós
  • Plebe Rude
  • Scatolove
  • Valveline
  • Sorry Drummer part. Mv Bill
  • Síntese e muito mais
  • Her
  • DJs: Anderson Noise, Samuel Subcultura, Erick Jay e Cashu
Nos encontramos por lá!

Texto: Rodrigo Honorato
Imagem: Internet (Divulgação)

24 de out de 2018

Eles não poderão nos calar. Vencemos uma vez e venceremos de novo.


Sabemos que a ditadura militar brasileira, que teve início com o golpe de estado de 1964, tinha grande mobilização na repressão dos então considerados subversivos, mas o que realmente conhecemos da resistência LGBT durante esse período de nossa história? É sobre isso que quero conversar com vocês hoje. Para dar início gostaria de esclarecer que esse texto não se trata de um artigo ou notícia, ele tampouco é um ensaio, talvez esteja mais próximo de um desabafo de maneira que convido a todos que o lerem a comentar e responder com suas dúvidas, questionamentos e opiniões. 

Com uma breve pesquisa começamos a entender o panorama internacional dos direitos LGBT no contexto anterior à ditadura no Brasil: Inspirada pelo movimento feminista e negro, a comunidade começava a se levantar em países que tiveram o privilégio de se desenvolver intelectualmente enquanto utilizavam nossa terra como quintal e nosso povo como degrau, de maneira que na década de 50 as primeiras organizações pelo direito LGBT tomavam corpo nos Estados Unidos e Europa. Já no Brasil, apesar do advento da revolução sexual, muitos movimentos de esquerda compartilhavam dessa visão moralista dos bons costumes sexuais, negavam a interseccionalidade e buscavam uma pauta mais focada nos direitos do trabalhador, questão que até hoje se faz bastante presente nos movimentos socais do país. 

Nos anos 70, quando os coletivos se levantaram a nível internacional, o Brasil, em meio a repressão militar, sofria nas mãos do controle moral de comportamentos sexuais então vistos como desviantes e a comunidade LGBT, sem muito apoio da esquerda, era submetida a diversas violências entre elas detenções arbitrárias, expurgos de cargos públicos, perseguição, tortura, censura e assim por diante. Na época, centenas de pessoas foram levadas para prisões, acusadas de “homossexualismo” e submetidas a torturas mais graves do que os demais presos políticos, já que na visão da ditadura, mulheres, homossexuais e negros tinham sua “condição” como agravante. Impedida de se organizar politicamente, a comunidade LGBT brasileira utilizou como resistência locais de socialização como casas noturnas, guetos e festas, espaços esses que ainda detém grande significado para o nosso movimento de resistência. 

Apesar das amplas censuras da mídia para qualquer ativista que se levantasse pelo movimento, alguns artistas conseguiram utilizar de sua fama como canal para questionar padrões de gênero e sexualidade , como os casos de Ney Matogrosso e Welluma Brown, “chacrete” e travesti negra que anos mais tarde declarou, em entrevista, que era necessário que a comunidade se cortasse para evitar prisão, tortura e estupro, já que na época a AIDs era associada como doença homossexual e os cortes expostos eram uma maneira de amedrontar os policiais.


O jornal “O snob” também foi um exemplo de resistência LGBT durante o período ditatorial marcando o início da imprensa alternativa gay no Brasil. No final dos anos 70 aconteceram as primeiras tentativas de organização política da comunidade LGBT, debatendo a necessidade de inclusão do respeito a comunidade na Constituição Federal, além da primeira “marcha gay” em São Paulo no ano de 1980 que pode ser considerada percursora da atual Parada LGBTQ+. Aproximadamente quinze anos depois foi criada a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, mas o sonho de ter uma constituição ativa na proteção da comunidade ainda continua irrealizado. 

No cenário contemporâneo brasileiro, o conhecimento é sinônimo de poder, de maneira que saber da nossa história é essencial para que estejamos prontos para enfrentar o que vier pela frente. O direito de ser político nos foi tomado durante toda nossa existência e nem sequer na luta éramos considerados como parte da resistência. Como comunidade LGBT já enfrentamos dias melhores e dias piores, e foi em um momento de caos que, ao nos aliarmos a demais movimentos até então segregados, encontramos nossa força para mudar o cenário social a nosso favor. Entretanto, nada disso teria acontecido se não tivéssemos nos tornados políticos e não tivéssemos nos aliados a movimentos semelhantes ao nosso. 

Independentemente do resultado da eleição e mesmo que em diferentes graus, nossa luta será necessária, como foi há 54 anos por direitos e espaços que foram e são negados a nós e aos movimentos aliados. É hora de sermos realmente uma assembleia de pessoas que se faz ser ouvida e mostrar que nos calar hoje será muito mais difícil, pois a resistência política que nos libertou antes segue viva em nossa história. 

23 de out de 2018

A representatividade não é zero. Estamos e continuaremos ainda mais fortes!


Apesar de tudo que estamos passando com o atual contexto político brasileiro, ainda existe esperança para nós e nossas pautas. No primeiro turno das eleições 2018, foram eleitos candidatos que pertencem à comunidade LGBT e feminista e que, desde o início das eleições, levantam essas bandeiras e mostram nossa perspectiva e modo de vida.

Os eleitos foram:

Espirito Santo: Fabiano Contarato (Rede)

São Paulo: Erica Malunguinho (Psol)
Erika Hilton (Psol_
Isa Penna (Psol)

Rio de Janeiro: Jean Willys (Psol)
Dani Monteiro, Talíria, Mônica Fransico, Renata Souza (Juntas/Psol)
Marcelo Calero (PPS)

Pernambuco: Robeyonce (Psol)

Distrito Federal: Fábio Felix

Esses candidatos foram os eleitos e que estão na luta pela LGBTfobia e feminismo nesse novo período e serão as pessoas que vamos poder ver de perto seus trabalhos e ainda podemos contar como  aumento de 35% de deputadas mulheres nessa última eleição, trazendo mais representatividade para tas mulheres. 


Texto: Fernanda Atayde
Imagem: Divulgação

Nova lei pune assédio na rua e divulgação de cenas de estupro


Em tempos sombrios, ainda lutamos, e por conta disso podemos comemorar mais um marco para a história das mulheres no Brasil. Depois da lei Maria da Penha e do Feminicídio, foi aprovada essa semana, pela Presidência da República, uma nova lei onde criminaliza atos de importunação sexual (assédio, no bom e velho português) e divulgação de cenas de estupro, nudez, sexo e pornografia.

Além de configurar como crime ações como assédio dentro de transportes públicos, cantadas invasivas e beijo forçado, divulgação de cenas de sexo, estupro ou pornografia, a lei também prevê um aumento na pena para crime de estupro quando cometido por dois ou mais autores (incluindo cúmplices que não participaram de maneira “direta”). 

Porém, apesar de ser sim um marco no campo jurídico, temos que entender que enquanto não for feito um trabalho de base, investindo em educação e conscientização, trabalhando para prevenir ao invés de só punir, nada disso mudará de maneira efetiva e a realidade de nossa sociedade continuará a mesma. Configurar ou não algumas atitudes como crime não fará com que essas práticas deixem de existir.

Quando falamos de machismo, misoginia e estupro por exemplo, estamos falando de comportamentos coletivos que, a partir das primeiras revoluções feministas no século 19, começaram a ser questionados, deixando assim de serem vistos como algo socialmente normal e aceito. E para esses discursos, cabem mudanças estruturais, já que estão presentes na organização estrutural da nossa sociedade, como o racismo e a LGBTfobia também estão.

Texto: Vivian Piloto
Imagem: Icons

22 de out de 2018

#CanecaRecomenda | 'A Filha Perdida' evidencia conflitos da maternidade sem filtros



Com o objetivo de enriquecer o diálogo de conteúdos tratados como tabu dentro dos padrões da sociedade em que vivemos, o Coletivo Caneca começa uma nova campanha dentro do blog: o "Caneca Recomenda". Para abrir a série de obras artísticas a serem discutidas aqui, escolhemos "A Filha Perdida", com autoria de Elena Ferranti.

Em tempos em que o debate sobre a maternidade real está ganhando cada vez mais a merecida visibilidade o livro italiano “A Filha Perdida” vem abordando conflitos doloridos com uma visão sem filtros do tema. Em seu primeiro capítulo vemos Leda, a narradora, sofrendo um acidente de carro causado por um gesto que fica subentendido como intencional e coloca seu automóvel para fora da estrada em meio a um devaneio melancólico que a leva de volta para sua infância.

A visão que temos de Leda até então é contraposta por uma volta curta no tempo e a encontramos em um momento após suas filhas jovens terem se mudado para morar com o pai no Canadá, de maneira que ela passa a desfrutar de uma tranquilidade leve e rejuvenescedora, acompanhada pelo sentimento de dever cumprido.

Nessa onda de euforia a narradora decide utilizar suas férias para viajar sozinha pela primeira vez em alguns anos e aluga por um mês e meio um apartamento em uma cidadezinha litorânea, onde cria para si uma rotina tranquila com um tanto moderado de ócio. Dias após sua chegada na cidade, Leda nota uma família grande e expansiva de origem napolitana desfrutando da mesma praia e a visão da família, em especial a figura de Nina, uma jovem mãe, e sua filha pequena, Elena, que leva consigo uma boneca, desperta em Leda memórias de uma maternidade ansiosa e sufocante.

Mesmo sem a presença das filhas, Leda se prende a maternidade ao observar compulsivamente Nina e projetar nela uma visão utópica de mãe ideal que a coloca em uma série de regressões permeadas por uma forte dualidade entre os papéis de mãe e mulher. Para as mães da história a maternidade destrói a individualidade até o ponto em que elas não possam coexistir e se aprende a viver um pouco para si e muito para o outro, assim, a maternidade se torna cruel e sufocante, a culpa aparece em diversos momentos e os desejos de Leda se confundem com os das filhas.

Mas o conflito é mais profundo do que parece já que das filhas de leda sabemos que Bianca foi desejada e Marta lhe foi imposta pela crença de que uma criança pequena precisa de companhia, uma irmã para que cresçam juntas, e é a segunda filha que dá início ao processo que ela futuramente chama de despedaçamento, processo esse que, ainda que não esteja clarificado na história, em alguns momentos me fez questionar se representa uma possível depressão na gestação e no pós-parto. Tendo em mente essa possibilidade também me pergunto se é esse sentimento sobre Marta que remete ao título em tradução livre: “A Filha Obscura”.

A construção da personalidade dos personagens também é um diferencial nesse livro já que leda desde o início mostra orgulhar-se de ler as estrelinhas e escutar o que não é dito tendo o relacionamento entre eles estabelecido sob filtro da visão e projeção da narradora, que não nos poupa detalhes dando um ar cru e nada romântico a história.

Já falando sobre a autora, Elena Ferrante é um pseudônimo cuja identidade ficou por muito tempo desconhecida. Diversas especulações foram criadas sobre quem estava por trás de seus livros, inclusive surgiu a teoria de que seria Domenico Starnone, renomado autor italiano, ainda que a obra de Ferrante fosse marcada pelas relações entre mulheres, maternidade e família.

No entanto, em 2016, após o lançamento de “A Filha Perdida”, uma investigação financeira revelou a tradutora Anita Raja, esposa de Starnone, como a voz por trás de Elena Ferrante, que optou por manter sua identidade em segredo para que o leitor se concentrasse na literatura e não em sua imagem.

A autora também assina a “Série Napolitana” e “Dias de Abandono”, livros que, em sua maioria, receberam grande aceitação dos leitores.


Texto: Jenifer Romero

Site permite denúncia por crimes de violência motivados por intolerância.


No último dia 19, a Defensoria Pública de São Paulo inaugurou uma central virtual que recebe denúncias de violências motivadas por intolerância e preconceito. Através do site "www.defensoria.sp.def.br", o Observatório da Violência por Intolerância disponibilizará  um formulário que a vítima poderá preencher as informações sobre a violência sofrida, seja ela física ou digital. Além disso, a pessoa poderá indicar o tipo de violência (física, ameaça, verbal ou dano patrimonial) e também qual a razão e contexto (se a violência foi por homofobia, discriminação racial, xenofobia, de gênero, intolerância política ou religiosa).

As vítimas poderão indicar os agressores e fornecer provas do ocorrido. Entretanto, apenas casos ocorridos no estado de São Paulo poderão ser registrados no Observatório de Violência por Intolerância.

Em entrevista, Juliana Belloque, 1ª Subdefensora Pública-Geral, diz que a plataforma foi uma maneira de conseguirem mapear  a violência derivada dos tipos de intolerância e comenta que o papel da Defensoria é contribuir para uma ação em conjunto e articulada com os órgãos públicos sobre o tema.

O sistema não fará apenas o mapeamento da violência, mas também fornecerá todo suporte às vítimas das agressões orientando-as juridicamente e acompanhando casos graves, além de consolidar dados e casos que possam subsidiar políticas públicas para prevenção e também o combate a esses tipos de violência.

*todas as denúncias podem ser feitas em anonimato.

Texto: Rodrigo Honorato
Imagem: Internet (Divulgação)

17 de out de 2018

Onde está a Segunda: uma análise política

Longa da Netflix conta a história de sete irmãs que vivem reclusas por pressões governamentais


O ano é 2073. A Terra passou por um ‘boom’ populacional, apresentando uma escassez alimentícia. Desesperados, os cientistas começam a trabalhar em tratamentos genéticos para que o cultivo de alimentos seja mais rápido. Porém, como efeito colateral, o consumo desses alimentos fez com que as gestações de múltiplos aumentassem consideravelmente. Com isso, o fim é certo.

Pensando em uma maneira de retardar esse processo, a senadora Nicolette Cayman, interpretada por Glenn Close, implementa a ‘Lei de Alocação Infantil’, que funciona como ‘política do filho único’. As famílias têm direito a ter somente um filho, e os outros devem ser entregues a Agência de Segurança, responsável por colocar essas crianças em sono criogênico. Mas, para que essa política seja seguida, os cidadãos perdem parcialmente seu direito de ir e vir, já que precisam andar com braceletes conectados a uma rede que averigua se são filhos únicos, além de localizadores.

Com tudo isso, chegamos em Terrence Settman (Willem Dafoe), um homem que acabou de perder sua filha que deu à luz a sete meninas. Desnorteado e não confiando no sistema político, ele decide criar as meninas clandestinamente. Seus nomes são Monday, Tuesday, Wednesday, Thursday, Friday, Saturday e Sunday.

Trinta anos depois, as moças, interpretadas pela atriz sueca Noomi Rapace, assumem a identidade de sua mãe falecida, Karen Settman, e cada uma saí para o mundo exterior no dia que leva seu nome. O avô, durante os treinamentos ao longo da vida, afirma que elas devem sempre negar a existência de suas irmãs e que nunca podem sair juntas. Dentro do pequeno apartamento, cada uma assume sua verdadeira identidade, mas um dia na semana, as mulheres assumem a ‘máscara’ de Karen.


Monday (Segunda) é uma mulher mais voltada a vida profissional e, como irmã mais velha, sempre precisou ser exemplo para as outras. Tuesday (Terça) é mais good vibes, é preocupada com as irmãs e prefere relaxar com sua marijuana. Wednesday (Quarta) é mais esportiva e agressiva. Sem papas na língua, ela age quase sempre por impulso. Thursday (Quinta) não se conforma com o regime repressivo em que vivem. Para ela, a experiência que vivem no mundo exterior não é autêntica, já que assumem a identidade de outra pessoa. Friday (Sexta) é a mais quieta e nerd. Frágil, a mulher poucas vezes aparece em conflitos com suas irmãs. Saturday (Sábado) é a típica patricinha. Anda sempre de rosa e não gosta muito de pensar sobre como vivem. Para Sábado, as coisas são como devem ser. E, por último, Sunday (Domingo), que é mais reservada, maternal e espirituosa; sempre que a vemos, está preocupada com as irmãs e/ou cuidando delas.

A trama principal se dá, como o título indica, sobre o desaparecimento de Monday, que leva a uma série de outras coisas para encontrá-la.

UMA ANÁLISE – O regime em que vivem é ditatorial. E então, no momento político em que vivemos, é muito importante frisar em que consiste uma ditadura. De acordo com o dicionário Michaelis, ditadura é “governo autoritário, unipessoal ou colegiado, caracterizado pela tomada do poder político, com o apoio das Forças Armadas, em desrespeito às leis em vigor, com a consequente subordinação dos órgãos legislativos e judiciários, a suspensão das eleições e do estado de direito, com medidas controladoras da liberdade individual, repressão da livre expressão, censura da imprensa e ausência de regras transparentes em relação ao processo de sucessão governamental”.

O filme é composto de diversas metáforas, como, por exemplo, a diferença de personalidade que elas expressam dentro de casa. A liberdade de expressão em um regime ditatorial é reduzida a nada; exceto se você tem a opinião dos governantes. A personagem de Thursday é claramente parte de algumas minorias e, sentindo-se incomoda, é a mais militante dentro de toda a história. Elas manifestam-se criativamente e fisicamente em quatro paredes, mas, no mundo exterior, assumem as opiniões do governo. Ditaduras não querem saber opinião de grupos contrários, ditaduras matam e torturam grupos contrários.


Esse filme, embora tenha entrado na lista dos meus filmes favoritos, nunca me passou pela cabeça resenha-lo, mas, graças a sangrenta corrida presidencial e aos pedidos de intervenção militar e as declarações absurdas, percebi que é importante falar sobre isso, falar sobre regimes repressivos. Claro que o motivo apresentado pelo filme é muito diferente do que aconteceu no Brasil em 1º de abril de 1964; não tivemos um ‘boom’ populacional, mas o sistema quase sempre funciona da mesma maneira, em 1964, em 2073 ou em 2019. É preocupante!

O filme é de 2017, dirigido por Tommy Wirkola e conta, como cereja do bolo, com a atuação de Noomi Rapace, que se tornou uma das minhas atrizes favoritas e, em oito mulheres distintas, consegue te conquistar em 2 horas de filme. Vale a pena conferir!

Texto: Lauren Olivieiro
Fotos: Divulgação/Reprodução

16 de out de 2018

Projeto Visionar tem exposição na PUPA


O Projeto Visionar, criado pelo Coletivo Caneca, aconteceu em agosto deste ano realizou uma exposição neste último domingo, na PUPA. O evento que durou parte da tarde e foi até às 20h foi composto pelos produtos dos alunos que participaram da oficina fotográfica com temática LGBT.

Além da exposição, rolou uma roda de conversa com os participantes das aulas e também com Ligia Alipio, Bruna Pregnolatto, Caike Molina e Ana Rei, que foram os 4 orientadores do workshop realizado no Maloca.

Expositores: Carol Fernandes, Irina Rodrigues, Julay Merlo, Kayan Viana, Lorenzo Bortolino e Monique Nunes.


Texto: Rodrigo Honorato
Imagem: Paulo Falcadi